День 1 · 14 апреля
Tui – Redondela: atravessar o Minho e começar
A minha mãe parou no meio da ponte internacional, olhou para o Minho e disse: 'Então é isto.' Sim, mãe, é isto.
A ideia foi dela. Aos sessenta e oito anos, viúva há dois, a minha mãe disse-me numa terça-feira, a lavar a loiça, que queria fazer o Caminho de Santiago antes que os joelhos deixassem de a acompanhar. Eu tinha trinta e nove, um trabalho que não me deixava dormir e nenhuma vontade de andar. Disse que sim porque não se diz que não à mãe.
Saímos de Valença ao nascer do sol, atravessámos a ponte internacional sobre o Minho a pé e ela parou no meio, com um pé em Portugal e outro em Espanha, a olhar para o rio. «Então é isto.» Carimbámos a credencial na catedral de Tui, que parece uma fortaleza, e comemos o primeiro pão com chouriço da viagem sentadas nas escadas.
O Porriño e o rio Louro
Depois de Tui, o Caminho passa por uma zona industrial feia, mas há um desvio pelo rio Louro, entre choupos e moinhos, que evita quase tudo. Sigam as setas amarelas pintadas à mão, não as oficiais. Em Mos, uma senhora deu-nos água e disse à minha mãe que ela tinha muita coragem. A minha mãe respondeu que coragem tinha o meu pai, que morreu sem se queixar, e continuámos.
Redondela chegou devagar, com os seus viadutos de ferro. A etapa é longa demais para o primeiro dia; se puderem, dividam-na em duas e durmam em O Porriño. Nós não sabíamos.
- Расстояние
- 31,5 km
- Настроение
- Хорошо
- Ночевал(а) в:
- Albergue municipal de Redondela